As derrotas eleitorais de Kassab marcaram algumas das principais disputas de 2026. Presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab concorreu à Vice-Presidência na chapa de Ronaldo Caiado, que recebeu apenas 2,18% dos votos válidos e ficou fora do segundo turno.
O partido também perdeu força no Congresso. Na Câmara dos Deputados, elegeu 43 parlamentares, apenas um a mais que em 2022, enquanto sua bancada no Senado deve cair de 14 para cinco integrantes a partir de 2027.
Os números contrastam com o crescimento do PSD nas eleições municipais de 2024, quando a legenda conquistou 891 prefeituras. A expectativa de transformar essa força municipal em uma expansão nacional não se confirmou.
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CAIADO FORA DO SEGUNDO TURNO
Kassab tentou construir uma candidatura presidencial fora da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. O PSD tinha três nomes para a corrida: Ronaldo Caiado, Ratinho Junior e Eduardo Leite.
Ratinho Junior desistiu da disputa presidencial, enquanto Eduardo Leite ficou fora da escolha final. Kassab acabou compondo a chapa de Caiado como candidato a vice.
A candidatura enfrentou dificuldades para ampliar suas alianças políticas. Em agosto, as declarações de Kassab que provocaram reação de Caiado já expunham divergências sobre os rumos da eleição.
Antes da votação, houve também uma tentativa de Caiado e Kassab de ampliar alianças com o MDB. Mas, em São Paulo, o presidente do PSD já havia perdido espaço para o partido.
A chapa de Caiado e Kassab terminou o primeiro turno com 2,18% dos votos válidos. O resultado deixou a candidatura fora da disputa presidencial de 25 de outubro.
TARCÍSIO E O MDB
Antes mesmo das eleições, Kassab sofreu um revés na composição da chapa de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo.
O governador decidiu manter Felicio Ramuth como vice, apesar do desgaste político entre ele e o presidente do PSD. Em março, Felicio deixou o partido de Kassab e se filiou ao MDB.
A mudança foi articulada por Tarcísio com lideranças do MDB, entre elas Baleia Rossi e Ricardo Nunes. Com isso, o PSD perdeu sua representação na vice-governadoria paulista, enquanto o MDB passou a ocupar esse espaço.
Depois da derrota presidencial, Kassab declarou que seu candidato era Tarcísio. O contraste ficou evidente quando Kassab afirmou que preferia Tarcísio após a derrota com Caiado.
DERROTAS NOS ESTADOS
Os resultados desfavoráveis também atingiram candidaturas apoiadas por Kassab em diferentes regiões do país.
No Rio de Janeiro, Eduardo Paes, do PSD, recebeu 42,76% dos votos, contra 49,27% de Douglas Ruas, do PL. A disputa teve um desdobramento decisivo com a anulação dos votos de Anthony Garotinho.
Em Minas Gerais, Mateus Simões terminou em quarto lugar, com 4,63% dos votos. Cleitinho, do Republicanos, venceu no primeiro turno.
No Paraná, Ratinho Junior desistiu da corrida presidencial e apoiou Sandro Alex para sua sucessão no governo estadual. O candidato do PSD recebeu cerca de 25% dos votos e ficou atrás de Sergio Moro, do PL.
As derrotas no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e no Paraná se somaram ao resultado da chapa presidencial.
CONGRESSO FRUSTRA EXPECTATIVAS
Na Câmara dos Deputados, o PSD elegeu 43 parlamentares, contra 42 em 2022. O crescimento de apenas uma cadeira ficou distante da expansão esperada pelo partido.
Em relação à bancada que tinha imediatamente antes das eleições, com 48 deputados, o PSD perdeu cinco cadeiras. São duas comparações diferentes: uma considera os eleitos em 2022 e a outra considera a composição parlamentar anterior à votação de 2026.
No Senado, a redução foi mais expressiva. A representação do partido deve passar de 14 para cinco senadores a partir de 2027.
O PSD conquistou centenas de prefeituras em 2024, mas não conseguiu transformar essa presença municipal no crescimento esperado no Congresso.
VITÓRIAS EM QUATRO ESTADOS
Apesar dos reveses, o PSD conquistou quatro governos estaduais no primeiro turno.
Dr. Furlan venceu no Amapá, Eduardo Braide no Maranhão, Raquel Lyra em Pernambuco e Fábio Mitidieri em Sergipe. No Amazonas, Omar Aziz permaneceu na disputa pelo governo no segundo turno.
As vitórias garantiram ao PSD presença em governos estaduais, mas não mudaram o desempenho da chapa presidencial nem a redução de sua representação no Senado.
ESPAÇO NO GOVERNO PAULISTA
As consequências políticas das eleições também chegaram a São Paulo, onde Kassab mantém uma relação com o governador Tarcísio de Freitas.
Depois de perder a vaga do PSD na vice-governadoria e apostar na candidatura presidencial de Caiado, Kassab passou a enfrentar a perspectiva de uma possível redução do espaço do PSD no governo Tarcísio.
No cenário nacional, o PSD declarou neutralidade no segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Caiado, por sua vez, anunciou apoio ao candidato do PL.
O balanço das derrotas eleitorais de Kassab reúne, assim, a candidatura presidencial eliminada no primeiro turno, o crescimento limitado na Câmara, a redução da bancada no Senado e resultados desfavoráveis em disputas estaduais.
Ao mesmo tempo, as quatro vitórias para governos estaduais mostram que o desempenho do PSD foi diferente de uma região para outra.




