A reação da direita a Kassab abriu uma nova frente de conflito na eleição presidencial de 2026. As declarações do presidente do PSD provocaram respostas de Ronaldo Caiado, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e aliados do campo de oposição ao PT.
Gilberto Kassab afirmou, em evento com empresários em São Paulo, que partidos do Centrão não estão neutros na disputa e atuam em favor da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. O dirigente também disse que Flávio Bolsonaro tem chance “zero” de vencer a eleição.
Na avaliação de Kassab, o PT poupa Flávio por considerá-lo um adversário mais fácil para Lula em eventual segundo turno. Ele afirmou ainda que a candidatura do senador deve perder força quando o histórico político do grupo for explorado durante a campanha.
Ronaldo Caiado reagiu no X e descartou qualquer possibilidade de apoiar Lula ou o PT. O candidato do PSD disse que se opõe ao petismo desde 1989 e citou sua participação no impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, além de campanhas presidenciais anteriores.
REAÇÃO EM CADEIA
Caiado escreveu que, “em nenhuma hipótese, em nenhum cenário, em nenhum turno”, estará ao lado de Lula ou do PT. Segundo ele, sua candidatura existe para retirar o partido do poder e oferecer uma opção de direita sem ligação com o bolsonarismo.
Flávio Bolsonaro também respondeu à discussão. O senador afirmou que candidatos que se apresentam como de direita deveriam se unir contra o PT e disse que disputa a Presidência para “resgatar o Brasil do cativeiro”, e não apenas pelo poder.
Romeu Zema, candidato do Novo, seguiu na mesma linha. Ele escreveu que “contra o PT” vota “até num copo”, disse esperar o apoio da direita caso avance ao segundo turno e afirmou que apoiará um adversário de Lula se ficar fora da disputa.
O deputado Marcel Van Hattem apoiou as manifestações de Flávio e Zema e defendeu a união contra o PT. Já o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, elevou o tom contra o PSD e classificou o partido como “linha auxiliar” de Lula.
DISPUTA DE ESTRATÉGIA
Marinho também afirmou que a candidatura de Caiado “não é para valer” e acusou o PSD de trabalhar para favorecer Lula. A declaração amplia a divergência entre setores da direita sobre quem deve liderar a oposição ao petista e como os partidos devem se posicionar na eleição.
Kassab, por outro lado, sustenta a viabilidade de Caiado. Segundo ele, levantamentos internos do PSD mostram desempenho superior ao registrado nas pesquisas publicadas.
O dirigente também afirmou que a ausência de candidatos próprios de MDB, PP, União Brasil e Republicanos pode ampliar o tempo de propaganda da chapa de Caiado de cerca de 50 segundos para quase 2 minutos e 20 segundos no rádio e na TV.
O episódio expõe uma disputa aberta dentro do campo que pretende enfrentar Lula em 2026: de um lado, Flávio, Zema e aliados cobram união contra o PT; de outro, Kassab defende a candidatura de Caiado e questiona a capacidade eleitoral do senador do PL.




