O motorista do candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad, Alessandro Caseri, manteve em depoimento à polícia a versão de que foi abordado e seguido por policiais militares na noite de 11 de agosto, após deixar o candidato em casa. Investigadores, porém, apontam divergências entre os horários relatados e aqueles registrados por câmeras de segurança.
Caseri afirmou que policiais apontaram lanternas para o interior do carro e que, posteriormente, uma equipe da Força Tática teria parado diante do veículo, desembarcado e observado seu interior. Segundo o motorista, um dos PMs teria ordenado que ele deixasse o local.
A principal divergência indicada pela investigação está no horário em que o motorista afirma ter saído da região. Caseri declarou que deixou o local por volta das 23h09. Uma gravação citada na apuração, contudo, mostra o carro deixando a frente de um hotel na Vila Mariana por volta das 22h26.
HORÁRIOS DIVERGEM
Depois do episódio, Caseri enviou uma mensagem a um assessor de Haddad afirmando que estava se sentindo monitorado e que havia sido seguido por uma viatura da Polícia Militar. A mensagem foi enviada às 22h41.
Segundo a investigação, outras câmeras também registraram o veículo às 22h34 fora do ponto onde o motorista disse ter permanecido. Para os investigadores, esses registros entram em conflito com a afirmação de que ele teria deixado o local somente às 23h09.
O motorista, no entanto, manteve seu relato. Ele afirmou que havia ido para a região do hotel por considerá-la segura depois de policiais terem apontado lanternas para seu veículo em outras duas ocasiões naquela noite.
Caseri também disse que a abordagem principal pode ter ocorrido fora do enquadramento da câmera instalada diante do hotel. Ele pediu que a polícia verifique outra gravação, da Rua Victor Brecheret, que, segundo sua versão, pode ter registrado o episódio.
EPISÓDIO POLÍTICO
Haddad havia classificado o caso como uma “abordagem fora do padrão” e relatado que seu motorista teria sido acompanhado por uma viatura depois de deixá-lo em casa.
Uma câmera de segurança também registrou uma viatura passando nas proximidades no momento em que Haddad entrava em sua residência. Já a Secretaria da Segurança Pública afirmou que as imagens analisadas não correspondem à versão apresentada pelo candidato.
O governador Tarcísio de Freitas também se manifestou sobre o episódio e afirmou que as imagens não mostrariam perseguição, classificando o caso como falsa comunicação.
Caseri declarou à polícia que não pretende acusar os policiais militares de abuso de poder e informou que não registrará boletim de ocorrência sobre o episódio. Ele afirmou ainda que deverá apresentar as conversas mantidas com o assessor de Haddad.




