Marçal explica candidatura e mira Lula em sabatina

Marçal explica candidatura e mira Lula em sabatina
Pablo Marçal durante sabatina da Brasil Paralelo. (Reprodução/YouTube)
Candidato falou de Lula, Flávio, patrimônio, segurança, STF e propostas para um eventual governo

Pablo Marçal afirmou nesta segunda-feira (17), durante sabatina da Brasil Paralelo, que entrou na disputa pela Presidência para tentar alterar o cenário eleitoral e impedir, segundo sua análise, que Luiz Inácio Lula da Silva vença a eleição já no primeiro turno.

Na entrevista, Marçal também falou sobre a situação jurídica de sua candidatura, explicou o erro que levou seu patrimônio declarado a aparecer inicialmente na casa dos R$ 7 bilhões e comentou os principais adversários da eleição.

Ao longo de mais de uma hora de conversa, o candidato tratou ainda de segurança pública, economia, Supremo Tribunal Federal (STF), liberdade de expressão, religião e composição de um eventual governo.

CANDIDATURA

Questionado sobre a condenação eleitoral que pode afetar sua elegibilidade, Marçal afirmou que não vê fundamento jurídico para ser impedido de concorrer.

Segundo ele, sua candidatura está registrada e a defesa seguirá recorrendo das decisões no Tribunal Regional Eleitoral e, se necessário, no Tribunal Superior Eleitoral.

“A candidatura tá igual de todos, válida”, afirmou.

Marçal atribuiu as ações contra ele a pressões políticas e disse acreditar que adversários querem impedir sua participação porque não conseguiriam controlá-lo. As acusações foram apresentadas por ele sem comprovação durante a entrevista.

O candidato também afirmou que fará a campanha sem utilizar recursos públicos.

LULA E FLÁVIO

Um dos principais eixos da sabatina foi a leitura de Marçal sobre o cenário presidencial.

Ele afirmou considerar Lula e Flávio Bolsonaro os principais nomes da disputa ao lado de sua própria candidatura. Em outro momento, citou Ronaldo Caiado como competitivo.

Marçal disse acreditar que Lula estruturou o cenário para tentar vencer no primeiro turno. Segundo sua análise, a presença de novos candidatos dificulta essa possibilidade ao retirar votos de diferentes campos.

“Ele quer ganhar no primeiro turno”, afirmou Marçal.

Foi nesse contexto que explicou uma das razões para ter entrado na eleição. Segundo ele, sua candidatura serviria também como uma espécie de “escudo” caso Flávio Bolsonaro sofra desgaste durante a campanha.

Marçal afirmou que Flávio vem crescendo nas pesquisas mencionadas por ele e disse ter telefonado ao senador assim que sua candidatura foi registrada.

Em outro trecho, dirigiu um recado diretamente ao adversário.

“Flávio, segura firme.”

Marçal afirmou acreditar que o PT fará ataques pesados contra o senador durante a campanha e usou a expressão “portões do inferno” para descrever o cenário que, na sua avaliação, Flávio enfrentará.

ADVERSÁRIOS

Marçal também fez críticas a outros candidatos.

Sobre Ronaldo Caiado, elogiou a gestão de Goiás e sua atuação na segurança pública, mas afirmou que a aproximação com Gilberto Kassab teria prejudicado a candidatura do governador.

Em relação a Romeu Zema, disse considerá-lo honesto, mas afirmou que o governador de Minas Gerais errou ao atacar Flávio Bolsonaro no momento em que o senador estava sob pressão política.

Renan Santos, do partido Missão, foi alvo de uma sequência de provocações. Marçal disse que o candidato não passaria de 2% e ironizou a militância que participava do chat da transmissão.

Ele também previu uma “debandada” do PL após a eleição, independentemente do resultado de Flávio Bolsonaro, por divergências ideológicas internas. A afirmação foi apresentada como previsão de Marçal.

PATRIMÔNIO

Marçal também explicou o patrimônio de aproximadamente R$ 7 bilhões que apareceu inicialmente em seu registro eleitoral.

Segundo ele, houve erros de digitação.

O candidato afirmou que o patrimônio correto declarado por sua pessoa física é de aproximadamente R$ 149 milhões. Em um dos casos, disse que uma aplicação de R$ 6 milhões teria aparecido como R$ 6 bilhões devido à inclusão de três zeros.

Ele negou que o erro tenha sido uma estratégia para gerar repercussão.

FÉ E CAMPANHA

Ao ser questionado sobre a presença mais intensa de referências religiosas em seus discursos, Marçal afirmou que não adotou um discurso cristão apenas para a eleição.

“Eu não tenho um discurso cristão. Eu sou cristão, eu sou crente.”

Ele relatou que frequentou a Igreja Católica quando criança, depois passou a acompanhar a mãe em uma igreja evangélica e foi batizado aos 11 anos.

Marçal mostrou ainda uma tatuagem com a referência a Mateus 24:14 e afirmou acreditar que o Brasil terá um período de avivamento religioso.

ECONOMIA E GOVERNO

Ao resumir suas propostas, Marçal apresentou quatro eixos: virtualização, “empresarização”, esporte e mudança de mentalidade.

Na economia, defendeu maior industrialização de recursos naturais brasileiros, como nióbio e grafeno, para que o país deixe de exportar matérias-primas com baixo valor agregado.

Também defendeu redução de impostos e criticou a reforma tributária.

Na política externa, afirmou que gostaria de aproximar Brasil, Estados Unidos e Israel e disse que o país deveria ser o principal aliado norte-americano na América Latina.

SEGURANÇA

Na segurança pública, Marçal defendeu endurecimento das penas para integrantes de facções criminosas, reforma do Código Penal e redução da maioridade penal para determinados crimes.

Ele também afirmou que pretende permitir que jovens dirijam a partir dos 16 anos e propôs punições mais severas para porte ilegal de armas.

Marçal elogiou medidas adotadas pelo governo de Nayib Bukele em El Salvador, embora tenha reconhecido que o modelo não poderia ser simplesmente reproduzido no Brasil.

Ao falar sobre um eventual ministério, chegou a citar Caiado para a área de segurança pública.

STF E LIBERDADE

Marçal afirmou ainda que considera o Supremo Tribunal Federal “fora de controle” e defendeu mudanças na forma de indicação dos ministros.

Segundo ele, uma reforma constitucional deveria aumentar a participação de magistrados de carreira na Corte.

Na discussão sobre liberdade de expressão, defendeu que calúnia, difamação e injúria deixem o Código Penal e sejam tratadas principalmente na esfera civil.

“NÃO SOU COACH”

Já perto do fim da entrevista, Marçal voltou a falar sobre sua presença nas redes sociais.

Ele afirmou ter milhões de alunos e alcançar cerca de 50 milhões de contas mensalmente.

Na sequência, rejeitou dois rótulos associados à sua trajetória pública:

“Não me confunda com influenciador. Não me confunda com coach.”

A sabatina terminou com Marçal reafirmando que acredita na possibilidade de vencer a eleição e dizendo que tentaria convencer Flávio Bolsonaro a também participar das entrevistas da Brasil Paralelo.Pablo Marçal na Brasil Paralelo

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