PSD de Kassab retoma plano para mudar eleições após avanço dos deputados de internet

PSD de Kassab retoma plano para mudar eleições após avanço dos deputados de internet
Gilberto Kassab fala no PSD 📷 PSD/Divulgação
Projeto de 2017 mudaria a escolha de deputados e vereadores.

Depois das eleições de 2026, integrantes do PSD, partido presidido por Gilberto Kassab, passaram a defender com mais força a retomada do voto distrital misto, uma proposta que mudaria as regras para eleger deputados e vereadores no Brasil.

A discussão ganhou força após candidatos conhecidos principalmente pelas redes sociais, como Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato, conquistarem milhões de votos nas eleições de 2026.

O projeto foi apresentado em 2017, passou pelo Senado e continua sem aprovação na Câmara dos Deputados.

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O QUE O PSD DEFENDE

Hoje, um candidato a deputado pode receber votos de eleitores de qualquer cidade do estado onde concorre.

Isso permite que políticos conhecidos na internet conquistem votos em várias regiões ao mesmo tempo, mesmo sem ter uma atuação concentrada em determinada cidade.

O modelo discutido por integrantes do PSD funcionaria de outra maneira.

Pelo voto distrital misto, os estados seriam divididos em regiões eleitorais chamadas distritos.

Metade dos deputados seria escolhida pelos eleitores desses distritos. A outra metade continuaria sendo eleita pelo sistema proporcional, que considera a votação dos partidos.

Na prática, parte dos parlamentares passaria a representar uma região específica.

INFLUENCIADORES NO DEBATE

O desempenho de candidatos com grande audiência nas redes sociais nas eleições de 2026 fez a discussão ganhar força entre integrantes do partido de Kassab.

Nikolas Ferreira, em Minas Gerais, e Lucas Pavanato, em São Paulo, estão entre os exemplos de políticos que conquistaram milhões de votos.

Para os defensores da mudança, o sistema atual dificulta a disputa para candidatos que concentram seus votos em determinadas cidades ou regiões.

Eles argumentam que o voto distrital misto permitiria aos eleitores acompanhar mais de perto o trabalho de seus representantes.

A proposta não impediria influenciadores de disputar eleições. Ela mudaria a forma de escolha de parte dos parlamentares, com vagas disputadas dentro de regiões delimitadas.

PROJETO PARADO DESDE 2017

A proposta foi apresentada em 2017 pelo então senador José Serra, do PSDB.

O texto passou pelo Senado e chegou à Câmara dos Deputados, onde aguarda análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

O relator é o deputado federal Domingos Neto, do PSD do Ceará.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, também já defendeu a retomada da discussão. Segundo ele, o novo modelo poderia reduzir os custos das campanhas e aproximar os políticos da população.

Para que as regras mudem, o projeto precisa avançar no Congresso e cumprir as etapas legais necessárias.