Durante uma visita ao complexo industrial da Eurofarma, em Montes Claros (MG), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu oferecer gratuitamente canetas emagrecedoras a pacientes com obesidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
No entanto, o governo ainda prepara os critérios para a incorporação do medicamento. A promessa envolve avaliação médica e um protocolo clínico, mas ainda não há data anunciada para o início da oferta ampla.
PROMESSA NO SUS
Segundo o Ministério da Saúde, a pasta conduz estudos para definir quais pacientes poderão receber o tratamento. A análise considera pessoas que aguardam cirurgia bariátrica e pacientes com problemas associados à obesidade.
“Essa canetinha vai ser utilizada para cuidar de graça das pessoas que tenha obesidade.”
Lula, durante visita ao complexo industrial da Eurofarma, em Montes Claros
Além disso, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o tratamento não será incorporado como um “milagre estético”. De acordo com ele, o governo pretende definir indicações específicas e acompanhar os resultados clínicos.
CRITÉRIOS MÉDICOS
Depois de anunciar a gratuidade, Lula ressaltou que médicos não poderão receitar o medicamento “a torto e a direito”. O presidente também defendeu reeducação alimentar e exercícios físicos como parte do tratamento contra a obesidade.
Em seguida, Lula fez um alerta sobre o uso eleitoral das canetas. Ele disse que poderia surgir “deputado” ou “candidato” distribuindo o produto e classificou essa possibilidade como irresponsável.
“Vai ter deputado, vai ter candidato jogando caneta para o povo. Caneta não é assim. Isso é irresponsabilidade.”
Lula, ao defender critérios médicos para a distribuição das canetas emagrecedoras
Por isso, a fala reúne dois movimentos: a promessa de gratuidade e a tentativa de afastar o medicamento de uma distribuição política indiscriminada. Na prática, a oferta nacional dependerá da conclusão dos estudos e da definição de quem terá direito ao tratamento.
PICANHA E CANETA
Já na campanha presidencial de 2022, Lula usou o churrasco, a picanha e a cerveja como símbolos da recuperação econômica. Na ocasião, afirmou que o objetivo era devolver às famílias condições financeiras para reunir parentes e amigos no fim de semana.
Quatro anos depois, uma “canetinha” passou a ocupar o centro de outra promessa eleitoral. Contudo, os dois anúncios têm naturezas diferentes: a picanha representava poder de compra, enquanto o medicamento integra uma proposta de tratamento pelo SUS.
Ainda assim, o contraste reforça uma característica da comunicação de Lula. O presidente recorre a produtos presentes no imaginário popular para apresentar propostas econômicas e sociais em linguagem simples.
Assim, o anúncio feito em Montes Claros ganha peso político durante a campanha de 2026. A execução da promessa, porém, ainda dependerá do protocolo clínico, da definição do público atendido e da organização da oferta pelo Ministério da Saúde.




