Murilo Hidalgo, diretor do Instituto Paraná Pesquisas, afirmou que São Paulo pode definir o resultado da eleição presidencial. Em entrevista à revista Exame, o pesquisador comparou as vantagens de Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro no estado e calculou o peso de uma eventual transferência de votos.
Segundo Hidalgo, Tarcísio aparece entre 16 e 18 pontos à frente de Fernando Haddad na eleição para o governo paulista. Na disputa presidencial em São Paulo, Flávio teria uma vantagem de 2 a 4 pontos.
Ao cruzar os dois resultados, Hidalgo resumiu a diferença como um “gap de 12%” e afirmou que a transferência de metade desse saldo poderia levar Flávio à Presidência.
“Se ele conseguir passar metade dessa vantagem, eu te diria que o Flávio será presidente do Brasil”, declarou.
A CONTA PAULISTA
O cálculo apresentado por Hidalgo parte do desempenho de candidatos diferentes em duas eleições realizadas simultaneamente. De um lado, Tarcísio disputa a reeleição ao governo de São Paulo contra Haddad. Do outro, Flávio enfrenta Lula na corrida presidencial.
Na margem mais conservadora citada pelo pesquisador, Tarcísio teria 16 pontos de vantagem, enquanto Flávio abriria 4 pontos. A diferença entre os resultados seria de 12 pontos.
Metade desse intervalo corresponde a 6 pontos. A projeção de Hidalgo é que uma transferência desse tamanho, da votação estadual de Tarcísio para a candidatura nacional de Flávio, seria suficiente para alterar o resultado da eleição presidencial.
O cenário utilizado na análise acompanha a liderança de Tarcísio na disputa pelo governo paulista. As pesquisas específicas usadas na comparação, porém, não são identificadas no trecho selecionado da entrevista.
PESO DE TARCÍSIO
A pergunta central apresentada pelo pesquisador é quanto da vantagem estadual de Tarcísio poderá ser transferida para Flávio numa disputa nacional.
“O Tarcísio conseguirá dar esses votos a Flávio?”, questionou Hidalgo antes de apresentar sua projeção.
A transferência dependeria do envolvimento direto do governador na campanha presidencial, principalmente em um eventual segundo turno. Em outro momento da entrevista, Hidalgo perguntou se Tarcísio entraria efetivamente na campanha de Flávio após uma possível vitória no primeiro turno em São Paulo.
A aproximação entre os dois já integra a estratégia eleitoral. Em declaração recente, Flávio projetou a reeleição de Tarcísio no primeiro turno e disse que apoiaria o governador numa eventual candidatura à Presidência em 2030.
SUDESTE DECISIVO
Hidalgo afirmou não ter dúvidas de que a eleição poderá ser definida em São Paulo e no Rio de Janeiro. Na avaliação dele, a concentração de eleitores no Sudeste amplia o impacto nacional de cada ponto percentual conquistado na região.
O pesquisador também observou que Lula cresceu no Sudeste depois de direcionar programas federais para eleitores do Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste. Entre os exemplos citados estão o Desenrola e as mudanças no Imposto de Renda.
Mesmo com esse crescimento, Hidalgo descreveu a eleição como aberta e destacou que pequenas movimentações em São Paulo podem produzir efeitos relevantes no resultado nacional.
A análise ocorre num cenário de redução da distância entre Flávio e Lula nas pesquisas de intenção de voto para o segundo turno.
ESTADOS-PÊNDULO
Além de São Paulo, Hidalgo apontou Bahia, Ceará e Pernambuco como estados-pêndulo da eleição. Segundo ele, o resultado das disputas estaduais nesses locais poderá influenciar a mobilização das campanhas presidenciais no segundo turno.
No caso paulista, a variável decisiva seria o comportamento de Tarcísio depois da eleição para governador. Já nos estados nordestinos, o pesquisador avalia que vitórias de adversários de Lula poderiam reduzir a força de mobilização do presidente.
A entrevista foi publicada pela revista Exame em 4 de setembro de 2026, a extaos 30 dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.




