O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro participou nesta segunda-feira (24) de uma reunião com empresários na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a Fiesp. Após o encontro, ele criticou o governo Lula, defendeu responsabilidade fiscal, prometeu escolher ministros técnicos e apresentou propostas para aproximar o ensino profissionalizante das empresas.
Na entrevista concedida depois da reunião, o candidato também falou sobre sua relação com o governador Tarcísio de Freitas e respondeu a informações de bastidor sobre a campanha eleitoral.
Questionado se sua campanha teria procurado o grupo de Tarcísio para propor um pacto eleitoral, Flávio negou que a conversa tenha ocorrido.
“Da minha parte, pelo menos, não.”
Em seguida, afirmou que mantém contato direto com o governador. Segundo Flávio, os dois já integram o mesmo projeto político desde o governo de Jair Bolsonaro, quando Tarcísio comandou o Ministério da Infraestrutura.
Flávio elogiou a atuação do governador em São Paulo e disse acreditar que Tarcísio vencerá a eleição estadual no primeiro turno.
“Eu não preciso de pacto com Tarcísio para a gente caminhar junto. Nós sempre caminhamos juntos e é assim que a gente vai continuar.”
CRÍTICAS A LULA
Ao falar sobre a economia, Flávio classificou o governo Lula como “gastador” e “irresponsável”. Segundo o candidato, o desequilíbrio fiscal reduziu a capacidade do poder público de investir em ferrovias, portos e aeroportos.
As declarações representam a avaliação política de Flávio. Os dados econômicos mencionados durante a entrevista não foram acompanhados de documentação independente.
O candidato afirmou que uma de suas prioridades seria restabelecer a capacidade de investimento do país.
Flávio também prometeu escolher ministros com base em critérios técnicos, competência e honestidade. Ao apresentar-se como preparado para a Presidência, citou seus 24 anos de vida pública e sua experiência de articulação em Brasília.
MANDATO ÚNICO
Outro ponto defendido foi o fim da reeleição para presidente da República. Flávio afirmou ter apresentado uma proposta de emenda à Constituição para estabelecer um mandato presidencial único.
Segundo ele, caberia ao Congresso decidir se o período seria de quatro ou cinco anos. Flávio argumentou que o modelo reduziria o foco de um presidente na própria permanência no poder.
ENSINO TÉCNICO
Na área educacional, Flávio propôs ampliar o acesso a creches e adotar um sistema de vouchers quando não houver vaga disponível na rede pública. Pelo modelo descrito, as famílias poderiam utilizar o benefício em instituições privadas.
Para o ensino fundamental e médio, ele defendeu mudanças curriculares, com aulas de empreendedorismo, educação financeira e atividades esportivas no contraturno.
A principal proposta relacionada à indústria foi a adoção de um modelo dual de ensino técnico, com empresas participando da formação dos estudantes.
De acordo com o candidato, os alunos poderiam realizar atividades semelhantes a estágios, preferencialmente em empresas instaladas na região onde vivem. O objetivo declarado seria adequar a formação às necessidades do setor produtivo e ampliar as chances de contratação.
POSIÇÃO DA FIESP
Ao final da entrevista, Paulo Skaf afirmou que a Fiesp defende menor participação do Estado, responsabilidade fiscal, juros mais baixos, competitividade, inovação e desenvolvimento tecnológico.
Skaf disse que Flávio defende princípios semelhantes e que isso tem a “simpatia” da entidade. Na mesma resposta, ressaltou que a Fiesp não é partidária.
A declaração não representa apoio eleitoral formal da Fiesp à candidatura de Flávio.
Skaf também afirmou que a indústria representa aproximadamente um quarto do Produto Interno Bruto brasileiro e defendeu condições para que empresas brasileiras cresçam e ampliem sua presença internacional.




