O candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) abriu, nesta segunda-feira (24), a série de entrevistas da Globo com os presidenciáveis de 2026. Questionado por Renata Vasconcellos e César Tralli, ele defendeu sua gestão fiscal em Minas Gerais, privatizações de estatais federais e a criação de um regime de trabalho por hora.
A entrevista também colocou Zema diante de cobranças sobre o crescimento da dívida mineira, o reajuste concedido ao alto escalão do governo estadual, a política para o salário mínimo e possíveis mudanças futuras na Previdência.
A dívida de Minas foi um dos principais pontos de confronto entre Zema e os entrevistadores.
Dívida de Minas
Zema afirmou que não contratou novos empréstimos ou financiamentos durante sua gestão e atribuiu o crescimento da dívida principalmente aos juros cobrados pela União sobre compromissos herdados de governos anteriores.
O candidato sustentou que recebeu Minas Gerais com déficit de R$ 11 bilhões e levou o Estado a um superávit de R$ 5 bilhões. Segundo ele, a melhora deve ser analisada também pela capacidade de pagamento e pelo funcionamento do caixa estadual.
Os entrevistadores contrapuseram a argumentação apresentando dados sobre o aumento da dívida, a suspensão de pagamentos por decisão judicial e a situação financeira do Estado.
“Então o que conta é a condição de pagar e não o valor da dívida.”
Zema afirmou que passou a pagar em dia servidores, aposentados e fornecedores e argumentou que o peso da dívida em relação à receita teria diminuído.
O candidato tentou deslocar a discussão do valor nominal da dívida para a capacidade financeira do Estado de honrar seus compromissos.
Privatizações
Questionado sobre sua proposta de privatizar empresas como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, Zema usou a experiência de Minas como argumento.
Ele citou a venda de participações estaduais e a privatização da Copasa. Também afirmou que enfrentou dificuldades para avançar sobre a Cemig por causa das exigências previstas na Constituição mineira.
Zema defendeu que empresas controladas pelo poder público sejam administradas com critérios profissionais e sustentou que a valorização de ativos estaduais demonstraria o resultado dessa estratégia.
Para o governo federal, a proposta apresentada pelo candidato é reduzir a participação estatal e buscar maior eficiência na administração dos ativos públicos.
Salário mínimo
Zema afirmou que pretende garantir ao salário mínimo a reposição integral da inflação.
Quando questionado sobre aumento real, porém, condicionou qualquer ganho acima da inflação ao desempenho da economia e ao equilíbrio das contas públicas.
O candidato argumentou que a queda dos juros seria uma das principais formas de abrir espaço no Orçamento.
Segundo Zema, um governo com controle de gastos, maior credibilidade e combate à corrupção poderia reduzir o custo da dívida pública.
Zema evitou prometer aumento real permanente para o salário mínimo e vinculou a medida à situação fiscal e econômica do país.
Saúde e educação
Sobre os pisos constitucionais de saúde e educação, Zema afirmou que pretende manter as vinculações de recursos às receitas.
Ele defendeu, porém, que seja discutida uma distribuição mais flexível desses recursos.
O argumento é que municípios com população mais idosa poderiam necessitar proporcionalmente de mais recursos para saúde, enquanto cidades com maior presença de crianças e jovens poderiam demandar mais investimentos em educação.
Reajuste de 300%
Outro momento de cobrança ocorreu quando os entrevistadores mencionaram o reajuste de 300% concedido em 2023 aos salários de governador, vice-governador e secretários estaduais, enquanto os demais servidores receberam percentuais menores.
Zema respondeu que não teria sido beneficiado pessoalmente pela medida porque doa seu salário para Apaes.
Segundo o candidato, o objetivo do reajuste era aproximar a remuneração dos secretários mineiros da média praticada em outros estados e eliminar mecanismos adicionais de pagamento que classificou como “penduricalhos”.
Os entrevistadores insistiram na diferença entre o percentual concedido ao primeiro escalão e as correções destinadas aos demais funcionários públicos.
Trabalho por hora
Na discussão sobre Previdência, Zema voltou a defender uma proposta que já vem apresentando na campanha: a criação de uma modalidade de trabalho por hora.
Segundo ele, milhões de brasileiros trabalham hoje informalmente e acabam sem contribuição regular para a aposentadoria e sem proteção previdenciária em situações como doença.
O candidato citou como exemplo estudantes que buscam ocupações apenas aos finais de semana.
A proposta seria simplificar as regras para permitir que essas relações sejam formalizadas.
“Eu não quero acabar com a CLT. Deixa a CLT e põe essa outra opção aqui.”
Previdência
Zema afirmou que não pretende fazer uma mudança imediata na idade mínima para aposentadoria.
Ele defendeu que eventuais ajustes ocorram no futuro conforme o aumento da expectativa de vida e a situação financeira do sistema previdenciário.
A estratégia apresentada pelo candidato passa primeiro pelo aumento da formalização do mercado de trabalho e, consequentemente, do número de pessoas contribuindo para a Previdência.
No trecho acompanhado, Zema não apresentou propostas detalhadas para mudanças específicas nas regras de trabalhadores rurais e militares.
A entrevista de estreia da série da Globo colocou Zema principalmente diante de seu discurso econômico: responsabilidade fiscal, privatizações, redução dos juros e flexibilização das relações de trabalho.
Série da Globo
Zema foi o primeiro dos seis presidenciáveis convidados pela Globo para a série de entrevistas exibida depois do Jornal Nacional.
A sequência anunciada pela emissora prevê Ronaldo Caiado na terça-feira (25), Renan Santos na quarta (26), Lula na quinta (27), Flávio Bolsonaro na sexta (28) e Augusto Cury no sábado (29).
As entrevistas são conduzidas por Renata Vasconcellos e César Tralli e transmitidas pela TV Globo, GloboNews e g1.




