Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de São Paulo, admitiu que enfrentará uma eleição difícil contra o governador Tarcísio de Freitas. A declaração foi dada durante uma reação do petista ao tempo dedicado às pesquisas eleitorais nos primeiros minutos de uma sabatina realizada nesta segunda-feira (24).
“Nós estamos há 13 minutos já falando de pesquisa e de uma eleição que vai ser difícil. Eu não estou negando.”
Na abertura do programa, foram apresentados levantamentos que colocavam Tarcísio à frente. Um dos cenários citados indicava 52% para o governador e 35% para Haddad no primeiro turno; outro mostrava 45% a 27%.
Também foi mencionado que Haddad aparecia com 38% de rejeição, enquanto Tarcísio registrava 31%.
PESQUISAS EM FOCO
Haddad afirmou que pretendia usar os 50 minutos da entrevista para apresentar críticas ao governo estadual e propostas para São Paulo. Ao perceber que a conversa continuava concentrada nas pesquisas, reclamou que 13 minutos já haviam sido consumidos pelo tema.
O candidato disse que nunca apresentou a eleição como fácil e argumentou que não decide participar de uma disputa com base nas chances iniciais de vitória.
“Eu nunca dei uma entrevista dizendo que era uma eleição fácil.”
Antes da reação, Haddad havia afirmado que suas pesquisas internas apresentavam resultados melhores. Também ressaltou que ainda restavam cerca de 50 dias de campanha para que os candidatos expusessem suas propostas.
EXEMPLO DE 2012
Para contestar uma conclusão antecipada sobre a eleição, Haddad recordou que começou a campanha de 2012 para a Prefeitura de São Paulo com 3% das intenções de voto e terminou eleito.
Naquela disputa, Haddad derrotou José Serra no segundo turno. Ao citar o episódio, procurou demonstrar que uma desvantagem no início da campanha não determina necessariamente o resultado das urnas.
A comparação, porém, foi usada pelo próprio candidato como argumento político.
Haddad também afirmou que a eleição paulista está concentrada em dois nomes com percentuais significativos. Na avaliação dele, a disputa funciona politicamente como um segundo turno antecipado entre o candidato da situação e o principal nome da oposição.
CRÍTICAS A TARCÍSIO
Durante a sabatina, Haddad indicou que sua estratégia será confrontar a gestão de Tarcísio em áreas como educação, segurança, saúde, finanças e crescimento econômico.
Na educação, o petista afirmou que São Paulo teria caído da primeira posição nacional, durante a gestão de Geraldo Alckmin, para a décima colocação no atual governo. O dado foi apresentado por Haddad como crítica eleitoral e não veio acompanhado, na entrevista, da metodologia necessária para uma comparação completa.
O candidato também acusou a gestão estadual de reduzir investimentos, produzir déficits recorrentes e conduzir mal privatizações.
Na segurança, Haddad criticou a letalidade policial e defendeu maior investimento em tecnologia e inteligência. Ele prometeu manter as câmeras corporais ligadas ininterruptamente e reconheceu como positiva a compra dos equipamentos pelo governo atual.
CINCO PRIORIDADES
Nas considerações finais, Haddad elegeu cinco temas para sua campanha: educação, saúde, segurança pública, finanças estaduais e crescimento econômico.
O candidato afirmou que pretende primeiro convencer o eleitor de que existem problemas nessas áreas e, ao longo da campanha, apresentar alternativas para cada uma delas.
Haddad citou suas passagens pelos ministérios da Educação e da Fazenda e pela Prefeitura de São Paulo como experiência para governar o estado.
Ao admitir a dificuldade eleitoral, o petista evitou projetar uma vitória e apostou no tempo restante de campanha para reduzir a vantagem apresentada por Tarcísio.




