O pastor sênior da Igreja da Cidade, Carlito Paes, criticou publicamente líderes religiosos que escolhem “candidatos pessoais” e disse que pastores não deveriam orientar membros de suas igrejas sobre em quem votar. Depois, apareceu no material de campanha do deputado estadual Dr. Elton defendendo sua eleição para a Câmara dos Deputados. Qual é a palavra que vale?
As duas manifestações colocam lado a lado o discurso público de Carlito e sua atuação na campanha de um político que ele próprio apresenta como membro e voluntário de sua igreja.
Em agosto, Carlito condenou pastores que buscam candidatos para transformá-los em “braços políticos”. No material eleitoral de Elton, ele pede confiança no deputado e associa sua eleição ao voto do povo paulista.
O QUE DISSE
Em publicação no X, antigo Twitter, Carlito afirmou que existem pastores insatisfeitos com a atuação pública e pastoral de suas próprias lideranças e que estariam buscando “candidatos pessoais”.

Segundo ele, esses nomes serviriam como “braços políticos” de um “projeto de poder, paraeclesiástico”.
Na mesma sequência de publicações, o pastor foi além. Disse não considerar adequado, “na perspectiva bíblica”, que um líder de igreja local diga aos membros “em quem votar ou não votar”.
Para Carlito, a igreja deveria formar discípulos capazes de tomar a própria decisão eleitoral com maturidade.
APOIO A ELTON
O tom muda no material eleitoral de Dr. Elton.

Na revista de campanha do deputado, Carlito aparece com foto, nome e um depoimento de apoio. Ele afirma conhecer Elton há 29 anos e cita sua trajetória como médico, pai, esposo, cristão, membro e voluntário da igreja.
Além disso, o pastor declara confiança na competência, no caráter e no “coração servidor e generoso” do candidato.
O trecho final aproxima diretamente o testemunho da disputa eleitoral.
“Confirmando Deus, por meio do voto do povo paulista, ele será um excelente Deputado Federal!”
Carlito Paes, em material de campanha de Dr. Elton
CONTRADIÇÃO
A questão não está no direito de Carlito manifestar preferência política. Como cidadão, ele pode apoiar candidatos e declarar seu voto.
O contraste surge do padrão estabelecido pelo próprio pastor: primeiro, ele critica líderes religiosos que escolhem candidatos pessoais e questiona pastores que dizem aos membros em quem votar; depois, empresta nome, imagem e autoridade pessoal a uma peça destinada a promover eleitoralmente um integrante de sua própria igreja.
A pergunta que fica é onde termina o testemunho pessoal de Carlito Paes e começa a indicação eleitoral que ele próprio havia condenado. Carlito afirmou que pastor não deve dizer aos membros em quem votar; depois, declarou apoio à eleição de Dr. Elton




