Ricardo Galvão critica Congresso e defende bancada da ciência em sabatina

Ricardo Galvão critica Congresso e defende bancada da ciência em sabatina
Ricardo Galvão durante sabatina do Especial Eleições 2026 promovida pelo SPRioMais e pela Jovem Pan São José dos Campos — Foto: Reprodução/YouTube
Candidato do PSB criticou polarização e nível do Congresso e defendeu ciência, educação e meio ambiente como prioridades para o Vale do Paraíba

O candidato a deputado federal Ricardo Galvão (PSB) defendeu maior presença da ciência na formulação de políticas públicas, criticou o funcionamento do Congresso Nacional e apontou educação, meio ambiente, tratamento de resíduos e proteção das nascentes entre os desafios do Vale do Paraíba durante sabatina do Portal SPRioMais e da Jovem Pan São José dos Campos.

Candidato do PSB criticou polarização e nível do Congresso e defendeu ciência, educação e meio ambiente como prioridades para o Vale do Paraíba

Ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e ex-presidente do CNPq, Galvão afirmou que sua candidatura tem como uma das principais propostas ampliar o uso de conhecimento e evidências científicas nas decisões tomadas em Brasília.

Galvão disse que pretende trabalhar pela formação de uma “bancada da ciência” na Câmara, voltada não apenas à obtenção de recursos para pesquisa, mas à inclusão de evidências científicas na discussão das políticas públicas.

CIÊNCIA NA CÂMARA

Segundo o candidato, a experiência que teve no Congresso mostrou uma deficiência de conhecimento técnico na elaboração e votação de políticas estratégicas.

Ele afirmou ter conversado sobre o tema com o vice-presidente Geraldo Alckmin antes de ingressar no PSB e citou a ex-ministra da Saúde Nísia Trindade entre os nomes envolvidos em uma articulação para ampliar a representação da ciência no Legislativo.

“Nós temos a bancada do agronegócio, várias bancadas ruralistas, mas falta uma bancada da ciência.”

Ricardo Galvão, candidato a deputado federal pelo PSB, durante sabatina do Portal SPRioMais e da Jovem Pan São José dos Campos

Para Galvão, o Vale do Paraíba concentra conhecimento científico que poderia ser mais aproveitado nas decisões nacionais. Ele citou pesquisadores ligados aos estudos sobre mudanças climáticas e destacou a presença de instituições de ciência e tecnologia na região.

VALE DO PARAÍBA

Ao tratar das prioridades regionais, Galvão citou o tratamento do lixo como um dos problemas que exigem políticas públicas mais estruturadas. Ele mencionou o transporte de resíduos do Litoral Norte para outras cidades da região e defendeu tecnologias capazes de aproveitar parte desse material para geração de energia.

O candidato também apontou a necessidade de ampliar a reciclagem e relacionou o tema à capacidade científica existente no próprio Vale.

Outro ponto destacado foi a proteção das nascentes. Galvão afirmou que a região reúne condições para combinar preservação ambiental, ecoturismo e geração de renda, mas disse que parte desse processo depende de regulamentação federal.

Ele mencionou especialmente as áreas de Cunha, Serra do Mar e Serra da Mantiqueira e defendeu políticas para preservar mananciais ligados à bacia do Paraíba do Sul.

EDUCAÇÃO BÁSICA

A educação apareceu entre as críticas mais duras dirigidas à situação regional. Galvão classificou o ensino básico no Vale do Paraíba como “muito ruim” e relatou o caso de um estudante que chegou ao terceiro ano do ensino médio sem professores de Física e Matemática durante parte do período letivo.

Segundo ele, o problema exige articulação entre os diferentes níveis de governo. Galvão afirmou que participa das discussões do programa de ciência e tecnologia da campanha presidencial de Fernando Haddad e que a educação está diretamente relacionada a esse debate.

EMENDAS PARLAMENTARES

Galvão também fez ressalvas ao modelo de emendas parlamentares. Ele afirmou que não considera todas as emendas problemáticas e citou casos em que os recursos atenderam necessidades concretas da região.

Entre os exemplos, mencionou uma emenda de bancada articulada pelo então deputado federal Eduardo Cury para equipamentos utilizados pelo INPE em Cachoeira Paulista.

Durante sua passagem pela Câmara, Galvão disse que também destinou recursos ao Instituto Federal de São Paulo, em São José dos Campos, à Unifesp e ao monitoramento por satélite da Mata Atlântica.

Por outro lado, criticou a fragmentação das verbas.

“O que a emenda não permite é o planejamento central.”

Ricardo Galvão, ao comentar o sistema de emendas parlamentares durante a sabatina

Na avaliação do candidato, mesmo uma emenda bem destinada pode não estar integrada ao planejamento mais amplo do governo.

CRÍTICA AO CONGRESSO

Um dos momentos mais incisivos da entrevista ocorreu quando Galvão foi questionado sobre o trabalho dos parlamentares em Brasília.

Ele disse que a polarização política está “destruindo o país” e relatou ter presenciado votações nas quais parlamentares se posicionavam contra propostas apenas porque haviam sido apresentadas pelo campo político adversário.

Galvão também criticou o uso do regime de urgência quando ele impede que propostas passem pelas comissões responsáveis pelo exame técnico dos temas.

Depois de afirmar que o Congresso “não está funcionando bem”, Galvão disse que existem “exceções belíssimas”, mas avaliou como baixo o nível intelectual médio do Legislativo.

“O nível intelectual [é] baixo. Na média é baixo no Congresso Nacional.”

Ricardo Galvão, durante sabatina do Portal SPRioMais e da Jovem Pan São José dos Campos

CONFRONTO COM BOLSONARO

A entrevista também retomou o episódio que projetou Galvão nacionalmente durante sua passagem pela direção do INPE.

Ele relatou o confronto ocorrido no governo de Jair Bolsonaro em torno dos dados de desmatamento da Amazônia e afirmou que já havia alertado integrantes do governo sobre a repercussão dos ataques ao sistema de monitoramento do instituto.

Galvão disse que decidiu reagir quando os dados produzidos pelo INPE foram chamados de mentirosos, mesmo sabendo que poderia perder o cargo.

“Quando ele disse que os dados eram mentirosos, eu reagi. Eu sabia que eu ia perder a posição.”

Ricardo Galvão, ao relembrar o confronto envolvendo os dados de desmatamento do INPE

Ao falar sobre negacionismo, Galvão afirmou que o fenômeno atual não se limita à rejeição do conhecimento científico por crença. Para ele, há também produção deliberada de argumentos com aparência científica para desacreditar resultados que contrariam determinados interesses.

CAMINHO DA FÉ

Galvão ainda comentou uma proposta apresentada durante sua passagem pela Câmara para dar proteção nacional ao Caminho da Fé.

Segundo ele, a iniciativa surgiu após relatos de exploração comercial e conflitos no percurso utilizado por peregrinos e ciclistas. A intenção seria aumentar a proteção da rota sem impedir sua utilização turística.

O candidato defendeu que uma política semelhante possa alcançar também a Rota da Luz, outro roteiro religioso que atravessa cidades do Vale do Paraíba.

REPRESENTAÇÃO REGIONAL

Ao longo da sabatina, Galvão voltou diversas vezes à necessidade de o Vale manter representantes no Congresso capazes de compreender as particularidades da região.

Para o candidato, essa representação não deve se limitar à obtenção de emendas. Ele defende que os parlamentares atuem na formulação de políticas nacionais que afetem diretamente ciência, educação, meio ambiente, infraestrutura e desenvolvimento regional.

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