Anderson cobra R$ 132 milhões da União e expõe pressão sobre a saúde

Anderson cobra R$ 132 milhões da União e expõe pressão sobre a saúde
Anderson Farias durante entrevista — Foto: Reprodução/Rádio Mensagem
Falta de repasses por três anos amplia a pressão na saúde a mais de 1 milhão de cadastros ativos em São José.

Anderson Farias cobrou mais de R$ 132 milhões que, segundo ele, deixaram de chegar a São José dos Campos para financiar serviços de saúde nos últimos três anos. O prefeito relacionou o desequilíbrio ao número de usuários atendidos pela rede, superior à população considerada nos repasses.

A prefeitura registra mais de 1 milhão de cadastros ativos, enquanto os recursos transferidos seguem o número de habitantes calculado pelo IBGE. A diferença pressiona as filas, o orçamento municipal e a capacidade de ampliar clínicas para outras regiões.

REDE SOBRECARREGADA

“É mais de 1 milhão. Nós estamos falando aí em quase 1 milhão e 100 mil cadastros que nós temos ativos com pelo menos dois atendimentos nos últimos 12 meses.”

Anderson Farias, prefeito de São José dos Campos, ao explicar o tamanho da rede municipal de saúde.

Parte da demanda vem de pacientes de outras cidades. Anderson afirmou que o Hospital da Vila registra até 12% de atendimentos de fora de São José. Na Clínica Sul, esse percentual chegaria perto de 18%. Já a UPA de Eugênio de Melo receberia cerca de 25% de pacientes de outros municípios, principalmente de Caçapava.

São José também é referência prevista para moradores de Paraibuna e Monteiro Lobato em algumas especialidades. Além disso, vítimas de acidentes nas rodovias da região são encaminhadas à estrutura municipal, principalmente ao Hospital da Vila.

O prefeito reconheceu que essa procura demonstra confiança no serviço. Porém, ela eleva despesas e ocupa uma estrutura planejada a partir da população oficial. Segundo Anderson, esse descompasso interfere diretamente no tempo de espera.

CONTA MUNICIPAL

“A União já deve para o município de São José dos Campos, nesses últimos três anos, mais de R$ 132 milhões.”

Anderson Farias, prefeito de São José dos Campos, ao cobrar recursos federais para a saúde.

Anderson afirmou que 76% dos recursos usados na saúde são municipais. O Hospital da Vila, embora receba pacientes graves de toda a região, é mantido pela prefeitura. O município também assume atendimentos que, na avaliação do prefeito, deveriam receber participação maior do Estado e da União.

Com o repasse reivindicado, a prefeitura poderia estudar unidades semelhantes à Clínica Sul nas regiões norte e oeste. A expansão aumentaria a oferta de consultas e exames perto dos bairros, diminuindo deslocamentos.

Outra frente é o recadastramento. A prefeitura cruza informações da saúde com bases como a do INSS para localizar endereços desatualizados e identificar quem realmente mora na cidade. O objetivo é organizar a rede e mostrar com mais precisão quantas pessoas utilizam os serviços municipais.

O Hospital da Vila ocupa uma posição central nesse atendimento. Anderson o classificou como unidade de porte cinco e referência estadual em trauma e ortopedia. Casos graves das rodovias Presidente Dutra, Floriano Rodrigues Pinheiro e Carvalho Pinto acabam encaminhados à estrutura municipal.

O prefeito também citou o heliponto do Hospital Regional, que, segundo ele, ainda não recebeu pousos de resgate. Pacientes transportados de helicóptero descem em um campo próximo ao Teatrão e seguem de ambulância ao Hospital da Vila.

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