Comerciantes e profissionais do Vale do Paraíba estão sendo incluídos em listas que incentivam o boicote a quem supostamente apoia Lula ou partidos de esquerda.
O material circula pelo WhatsApp e pelas redes sociais e já provocou denúncias de possível assédio eleitoral e reações de vereadores e associações comerciais na região.
Segundo o T7 News e o OVALE, mais de 150 nomes aparecem nas relações divulgadas em São José dos Campos, Taubaté, Guaratinguetá e Ubatuba.
A campanha ganhou força após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL), nas eleições presidenciais de 25 de outubro de 2026.
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SÃO JOSÉ TEM 18 NOMES
São José dos Campos aparece com 18 nomes. Taubaté reúne 45, Ubatuba tem 43 e Guaratinguetá, mais de 50.
As listas incluem comerciantes, médicos, arquitetos, professores, escolas, restaurantes e empresas identificados por supostas preferências políticas.
Em Ubatuba, uma das mensagens anuncia novas listas organizadas por cidade e profissão. A inclusão de nomes não comprova filiação partidária ou apoio a candidatos.
DENÚNCIAS EM SÃO JOSÉ
No Vale do Paraíba, a professora Jéssica Marques, porta-voz da Bancada Feminista do PSOL, informou ter procurado a Associação Comercial e Industrial de São José dos Campos para solicitar orientações contra o assédio eleitoral.
Ela também relatou representações ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e ao Ministério Público Estadual.
A vereadora Juliana Fraga divulgou relatos de ameaças, constrangimentos e possíveis demissões por motivos políticos.
Segundo balanço do MPT citado pela parlamentar e publicado pelo OVALE, a região de São José dos Campos registrou 24 denúncias de assédio eleitoral até 28 de outubro.
O número não se refere exclusivamente às listas.
VÍDEO GERA DENÚNCIA
Em Taubaté, a suplente de vereadora Renata Kobra (PL) publicou um vídeo defendendo que empresários de direita priorizem trabalhadores com posições políticas semelhantes e que consumidores evitem empresas associadas à esquerda.
Como reação, a organização Transparência Taubaté apresentou uma representação ao Ministério Público paulista para apurar possíveis práticas discriminatórias.
Três vereadores de Taubaté criticaram a campanha. Richardson da Padaria, também comerciante, defendeu que divergências políticas não prejudiquem empregos e negócios.
“Não importa se ele votou no Lula, se ele votou no Bolsonaro, se ele é de direita, se ele é de esquerda. O que importa é que ele trabalhe, que ele gere emprego, que ele fomenta, movimenta a economia da nossa cidade”, declarou.
COMÉRCIO REJEITA BOICOTE
A Associação Comercial e Industrial de Taubaté (ACIT), presidida por Ana Paula Vieira, divulgou uma nota preocupada com os efeitos da campanha sobre empresas e trabalhadores.
“Por trás de cada CNPJ existem dezenas de trabalhadores e famílias que dependem do seu salário e do seu posto de trabalho”, afirmou a entidade, defendendo o fortalecimento do comércio local acima das divergências políticas.
Em Guaratinguetá, a Associação Comercial e Empresarial (Aceg) também rejeitou a discriminação após circular uma mensagem atribuída a uma empresária e diretora da entidade defendendo demissões de petistas.
A associação esclareceu que opiniões individuais não representam necessariamente sua posição institucional.
A Constituição protege a liberdade de expressão e de convicção política, mas ameaças e retaliações contra empregados por suas escolhas eleitorais podem configurar assédio eleitoral, conforme as circunstâncias.



