A Prefeitura de Jacareí deixou os ônibus elétricos fora da proposta da nova concessão do transporte público, prevista para durar 15 anos. A decisão foi anunciada pelo secretário de Mobilidade Urbana, Edinho Guedes, que apontou o preço dos veículos como principal obstáculo.
Em entrevista ao Vale 360 News, Guedes afirmou que um ônibus elétrico custa quase o dobro de um convencional. Segundo ele, a prioridade é aumentar a frequência das viagens, renovar a frota e manter as passagens acessíveis.
A escolha, porém, deixa de fora do planejamento inicial uma tecnologia capaz de reduzir a poluição e o barulho nas ruas.
E levanta uma questão: a Prefeitura considerou apenas o preço de compra ou também os custos de operação ao longo do contrato?
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O CUSTO DA ESCOLHA
O investimento inicial em ônibus elétricos é maior, mas os veículos podem gastar menos com energia e manutenção durante sua vida útil.
Para avaliar essa diferença, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) desenvolveu uma ferramenta que considera aquisição, consumo, manutenção, infraestrutura de recarga e financiamento.
Em São José dos Campos, o BNDES aprovou financiamento para a renovação da frota com ônibus elétricos. O projeto, detalhado em reportagem do Radar Político, mostra uma alternativa de financiamento para a tecnologia.
Na entrevista, o secretário não apresentou um estudo que comparasse essas alternativas nas condições de Jacareí.
A ausência dos números impede verificar se o custo inicial mais alto seria compensado durante os 15 anos.
DINHEIRO PÚBLICO
O transporte coletivo já depende de subsídios municipais para manter as passagens abaixo do custo calculado do serviço.
Em 2025, a Prefeitura informou ter custeado 34,47% do valor da tarifa. Para 2026, a previsão chegou a aproximadamente 48%.
A tarifa técnica está em R$ 8,06, enquanto o passageiro paga R$ 4,50 no cartão comum ou R$ 5 em dinheiro. Os subsídios também financiam descontos e gratuidades.
O QUE VEM PELA FRENTE
A nova concessão substituirá o contrato da Jacareí Transporte Urbano (JTU), com encerramento previsto para abril de 2027.
Entre as mudanças estudadas estão o uso de vans e micro-ônibus em linhas de menor movimento e a contratação da bilhetagem separadamente da operação dos veículos.
A Prefeitura realizará sete audiências públicas entre 16 de novembro e 1º de dezembro para discutir o novo serviço.
A primeira está marcada para 16 de novembro, às 19h, na Emef Joaquim Passos, na Cidade Salvador, quando os moradores poderão apresentar sugestões sobre horários, frequência, veículos e atendimento aos bairros.



