Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro mostram o advogado Walfrido Warde tentando aproximar o dono do Banco Master do governo Lula. Os diálogos começam antes da reunião do banqueiro com o presidente, em dezembro de 2024, e continuam no ano seguinte. Neles, Warde relata contatos no Palácio do Planalto, fala de pedidos de agenda e menciona novos recados. O governo confirma um único encontro entre Lula e Vorcaro e contesta os demais relatos do advogado.
As conversas registram a atuação de Warde junto ao cliente. Elas mostram o que o advogado disse a Vorcaro, mas não confirmam, por si só, que todas as conversas atribuídas por ele ao presidente tenham ocorrido. Essa distinção é central para entender o material: há registros de articulação, uma reunião admitida pelo Planalto e alegações posteriores negadas pelo governo.
CAMINHO AO PLANALTO
Em abril de 2024, Warde pediu ao banqueiro um e-mail com os assuntos de interesse do Master para formalizar uma solicitação de reunião. Ele mencionou Marco Aurélio Santana Ribeiro, então chefe de gabinete da Presidência, conhecido como Marcola. A assessoria de Marcola afirmou que o pedido de formalização por e-mail era o procedimento usual para solicitações de audiência.
Em maio, o advogado escreveu a Vorcaro que havia saído da sala do presidente e perguntou pelo e-mail. Registros de acesso ao Planalto citados na apuração apontam que Warde esteve no local naquele dia. Em mensagens seguintes, ele voltou a falar de possíveis contatos políticos e da expectativa de uma aproximação do banco com o governo.
ENCONTRO CONFIRMADO
Lula e Vorcaro se reuniram em 4 de dezembro de 2024. O encontro não constou da agenda oficial. Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência, essa foi a única vez em que o presidente recebeu o banqueiro. A pasta afirmou que Vorcaro relatou sentir-se perseguido e que Lula respondeu que eventuais denúncias deveriam ser examinadas tecnicamente pelo Banco Central.
Em janeiro de 2025, Warde escreveu ao cliente que Lula teria agradecido um uísque e enviado um abraço. O Planalto nega que o presidente tenha recebido o presente ou enviado o recado. Em março, o advogado afirmou que Lula aceitaria outra reunião, com a participação de “Jaques”, possível referência ao senador Jaques Wagner. O governo nega conhecimento dessa suposta articulação e diz que não houve novo contato entre presidente e banqueiro.
As mensagens também mencionam Gleisi Hoffmann e Aloizio Mercadante. Mercadante negou ter tratado com Warde sobre o assunto; Gleisi não havia respondido aos contatos da apuração consultada. Warde não comentou. O conjunto expõe a busca de acesso ao governo pelo representante do Master e a disputa entre a versão apresentada ao banqueiro e a resposta oficial do Planalto.




