Uma gravação feita dentro de uma residência colocou o ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira no centro de uma conversa sobre contratos milionários com o INSS. No vídeo, dois empresários investigados discutem a possibilidade de usar a relação com o ex-ministro para facilitar acordos de associações responsáveis por descontos em aposentadorias.
A conversa ocorreu em 22 de maio de 2025, cerca de um mês depois de a Operação Sem Desconto revelar um esquema estimado em R$ 6,2 bilhões. As imagens foram registradas por câmeras de segurança da casa e passaram a integrar o material analisado na investigação.
PORTAS NO INSS
A gravação mostra os empresários Anderson Cordeiro de Vasconcelos e Igor Dias Delecrode citando José Carlos Oliveira para viabilizar contratos. Eles conversam sobre quatro entidades: Amar Brasil, Master Prev, Aasap e Andapp.
Juntas, essas associações faturaram mais de R$ 700 milhões com descontos feitos nos benefícios de aposentados e pensionistas. A Amar Brasil obteve seu primeiro acordo de cooperação técnica durante a gestão de Oliveira no INSS e arrecadou cerca de R$ 324 milhões entre 2021 e 2025.
Os outros três acordos foram firmados durante o governo Lula e somaram aproximadamente R$ 376 milhões em descontos. A dimensão financeira explica por que a conversa ganhou peso: o que estava em jogo era o acesso a uma engrenagem capaz de movimentar centenas de milhões de reais.
GRUPO INVESTIGADO
Na conversa, os empresários usam a expressão “golden boys” ao falar do grupo. A Polícia Federal investiga como as entidades conseguiram autorizações, ampliaram rapidamente suas bases de associados e passaram a descontar mensalidades diretamente dos pagamentos do INSS.
A Operação Sem Desconto apura cobranças que muitos aposentados afirmam não ter autorizado. O caso provocou bloqueios de bens, prisões e uma ofensiva para devolver valores às vítimas. Também abriu uma crise política porque os acordos atravessaram diferentes governos e gestões do instituto.
DEFESAS REAGEM
As defesas de Anderson Vasconcelos, Igor Delecrode e Felipe Macedo afirmam que não reconhecem a autenticidade nem a integridade do vídeo. Acrescentam que, caso a gravação exista, ela teria sido obtida de forma ilegal.
A defesa de José Carlos Oliveira nega participação em irregularidades e afirma que ele não atuou para permitir os acordos citados. Os representantes dos investigados também contestam as conclusões extraídas pela Polícia Federal.




