Assessora de Flávio negocia emenda com miliciano do caso Marielle

Assessora de Flávio negocia emenda com miliciano do caso Marielle
Flávio Bolsoraro (Divulgação/Internet)
Mensagens mostram assessora de Flávio Bolsonaro tratando de emendas com Robson Calixto, condenado por ligação com o caso Marielle.

Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram uma assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tratando da liberação de emendas parlamentares com Robson Calixto, o Peixe. Ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento com a organização criminosa ligada ao assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

As conversas colocam recursos enviados pelo gabinete do senador no centro da relação entre a assessora Maria de Fátima Bezerra Castro e um personagem apontado como operador de interesses da milícia. Para os investigadores, ela atuava como interlocutora direta do gabinete.

EMENDA EM FOCO

Os diálogos indicam que Maria de Fátima negociou com Peixe a liberação de recursos destinados a uma entidade esportiva. Em 2023, Flávio enviou R$ 199 mil para um projeto de futebol do Instituto Fair Play, o Ifop, na Taquara, zona oeste do Rio.

A região integra a área de influência política da família Brazão, segundo as investigações. A Polícia Federal vê indícios de desvio na execução do projeto e analisa se a entidade foi usada para direcionar dinheiro público.

As mensagens continuaram até março de 2024. Em diferentes momentos, a assessora pede notícias sobre o andamento dos projetos e solicita que o Ifop não seja esquecido. O contato frequente revela que o assunto não ficou restrito a uma conversa isolada.

R$ 600 MIL

Ao todo, aproximadamente R$ 600 mil foram destinados pelo senador à organização. Além dos R$ 199 mil para o projeto de futebol, outro repasse de cerca de R$ 400 mil, feito por emenda Pix, teve como destino uma ação em Barra do Piraí.

Em uma das trocas, Maria de Fátima também pediu quatro ingressos para o desfile das campeãs na Marquês de Sapucaí. Os investigadores classificaram a solicitação como possível vantagem indevida, embora o material não demonstre se os bilhetes foram efetivamente entregues.

CAMPANHA RESPONDE

A campanha de Flávio Bolsonaro afirma que os repasses seguiram critérios legais e técnicos. Segundo a equipe do senador, a entidade apresentou notas fiscais e devolveu os valores que não foram usados. A campanha acrescenta que cabe ao executor responder por qualquer irregularidade na aplicação do dinheiro.

A apuração tenta esclarecer se o gabinete acompanhou apenas a tramitação administrativa das emendas ou se houve interferência para beneficiar pessoas ligadas ao grupo investigado.

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