Dom Mário em Aparecida defendeu a reconciliação e criticou o ódio contra quem pensa diferente durante a missa solene da Festa da Padroeira, nesta segunda-feira (12), no Santuário Nacional, em Aparecida (SP). A mensagem foi feita em meio ao segundo turno da eleição presidencial, sem referências diretas aos candidatos.
Diante de milhares de fiéis, o arcebispo Dom Mário Antônio da Silva pediu uma “paz desarmada e desarmante” e afirmou que os ensinamentos de Jesus não justificam o ódio ou a violência contra pessoas com opiniões diferentes.
“O Evangelho, queridos irmãos e irmãs, não nos autoriza a odiar quem pensa diferente e nem a matar os inimigos”, afirmou.
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CONSTRUIR PONTES
Ao defender o diálogo, o arcebispo fez referência ao papa Leão XIV e pediu que os cristãos construam pontes em vez de alimentar divisões.
“O Evangelho, sim, nos autoriza a construir pontes onde alguém abre precipícios ou túneis, onde alguém ergue muros”, declarou.
A homilia também trouxe um apelo contra a indiferença diante do sofrimento humano. Dom Mário citou a fome, a pobreza, a violência, as guerras, a destruição da natureza e o abandono de idosos.
RELIGIÃO E ELEIÇÕES
A declaração de Dom Mário em Aparecida ocorreu em meio à disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), num momento em que símbolos religiosos também aparecem no debate político.
Nas semanas anteriores, a imagem da Padroeira esteve no centro de uma disputa judicial sobre publicações envolvendo Nossa Senhora Aparecida. O episódio se somou às discussões sobre a polarização em torno de Nossa Senhora Aparecida, tema abordado em artigo de opinião.
Apesar desse cenário, Dom Mário não mencionou Lula, Flávio Bolsonaro ou a controvérsia envolvendo a imagem da santa. A homilia concentrou-se na defesa da paz, do respeito às diferenças e da reconciliação.
AUTORIDADES PRESENTES
A missa das 9h reuniu milhares de fiéis e autoridades, entre elas o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), João Campos (PSB), o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Lula e Flávio Bolsonaro não participaram da celebração em Aparecida. Os dois tinham compromissos religiosos previstos em Brasília nesta segunda-feira.
PRIMEIRA CELEBRAÇÃO
Esta foi a primeira Festa da Padroeira de Dom Mário Antônio da Silva à frente da Arquidiocese de Aparecida. Ele assumiu o cargo em 2 de maio de 2026, sucedendo Dom Orlando Brandes.
Durante os nove anos em que esteve à frente da arquidiocese, Dom Orlando também abordou questões sociais e políticas nas homilias de 12 de outubro, incluindo desigualdade, preservação ambiental, racismo e responsabilidade dos representantes eleitos.




