A nove dias da eleição, governo Lula proíbe bets no Brasil

A nove dias da eleição, governo Lula proíbe bets no Brasil
Lula durante o anúncio de proibição de Bets e do Desenrola (Reprodução Youtube)
A nove dias da eleição, governo Lula proíbe bets; depósitos param e plataformas sairão do ar em 6 de outubro.

O Palácio do Planalto transformou a ofensiva contra as apostas on-line em uma das medidas de maior impacto da reta final eleitoral. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (25), depois de Lula acusar as plataformas de lucrar com o vício e destruir famílias.

O governo federal anunciou a proibição das bets, dos cassinos virtuais e de outros jogos on-line no Brasil. Com a publicação da medida provisória, as plataformas deixarão de receber novos depósitos.

BLOQUEIO DOS DEPÓSITOS

A proibição foi anunciada a nove dias do primeiro turno das eleições. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, intensificou as críticas às apostas durante a campanha.

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, os usuários poderão acessar as contas apenas para retirar o dinheiro disponível. O prazo para o saque voluntário termina às 23h59 de 5 de outubro.

Dario Durigan, ministro da Fazenda anunciando a proibição de bets (25.09.26 - Reprodução Youtube)

“A partir de hoje não se pode colocar mais dinheiro nos sites de apostas do país.”

Dario Durigan, ministro da Fazenda, ao anunciar o bloqueio de novos depósitos nas plataformas

Sites e aplicativos de apostas deverão sair do ar a partir de 6 de outubro, um dia depois do prazo dado aos usuários para o resgate voluntário.

DEVOLUÇÃO DOS SALDOS

O governo apresentou um calendário para retirar as plataformas do ar e devolver os valores que permanecerem nas contas.

  • Até 5 de outubro: apostadores poderão retirar voluntariamente os saldos;
  • Em 6 de outubro: sites e aplicativos deverão sair do ar;
  • Entre 7 e 8 de outubro: as empresas informarão aos bancos os saldos vinculados a cada CPF;
  • Entre 9 e 14 de outubro: os bancos deverão devolver integralmente o dinheiro;
  • Depois de 14 de outubro: a Caixa deverá intermediar pagamentos que enfrentarem algum impedimento.

A operação alcança tanto as plataformas de apostas esportivas quanto os cassinos virtuais, incluindo jogos popularmente conhecidos como “tigrinho”.

CRIMES E PENAS

Além da medida provisória, o governo Lula anunciou que enviará ao Congresso um projeto de lei para transformar a exploração e a operação de bets em crime.

A proposta prevê de quatro a seis anos de prisão, além de multa, para quem explorar ou operar apostas de quota fixa. A punição também alcançaria intermediários e administradores de canais de apostas.

A pena poderá aumentar em um terço quando a atividade envolver eventos virtuais ou cassinos on-line. As regras criminais, porém, só entrarão em vigor se o projeto for aprovado pelo Congresso e sancionado.

O governo optou por enviar um projeto separado porque a Constituição impede o uso de medida provisória para criar crimes ou alterar penas.

PUBLICIDADE NA MIRA

A minuta prevê de dois a quatro anos de prisão para quem fizer publicidade, marketing ou recrutamento de apostadores. A mesma faixa alcançaria quem monetizar esse tipo de divulgação.

O texto preserva conteúdos jornalísticos, informativos, educativos, acadêmicos, científicos e críticos.

Também poderão ser punidos o fornecimento de listas de dados pessoais para publicidade de apostas, a facilitação consciente de pagamentos e o desenvolvimento de aplicativos destinados à operação das plataformas.

RETA ELEITORAL

O pacote foi apresentado durante um evento dedicado ao combate ao endividamento das famílias. Entretanto, o momento do anúncio coloca a decisão no centro da disputa eleitoral.

Lula passou a adotar um discurso mais duro contra as bets nos últimos dias. Na abertura da Assembleia Geral da ONU, o presidente afirmou que as plataformas transformam “vício em lucro” e estão “destruindo lares”.

Lula anuncio bets

“Não é correto gastar o que não tem para tentar ganhar o que não existe.”

Lula, presidente da República e candidato à reeleição, durante ato de campanha no Recife

A proibição imediata depende da publicação da medida provisória. Já as penas anunciadas para operadores, anunciantes e intermediários ainda passarão pela análise da Câmara e do Senado.

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