Lula leva soberania, Pix e combate às bets ao discurso na ONU

Lula leva soberania, Pix e combate às bets ao discurso na ONU
Lula discursa das Nações Unidas - reprodução internet
Presidente reage a pressões externas e leva a eleição à tribuna.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou a tribuna da Assembleia Geral da ONU para defender a soberania brasileira e levar ao cenário internacional temas que dominam a campanha presidencial no país. O presidente falou sobre Pix, bets, segurança pública, democracia e interferência estrangeira a menos de duas semanas do primeiro turno.

Em um dos trechos mais duros, Lula afirmou que o Brasil não aceitará pressões externas sobre suas decisões políticas e econômicas. Sem citar diretamente Donald Trump, respondeu às críticas vindas dos Estados Unidos e declarou que o país não precisa de forças estrangeiras vigiando suas águas ou ditando o rumo das eleições.

SOBERANIA

“O Brasil não cabe no quintal de ninguém.”

Lula, ao defender a soberania brasileira durante o discurso na Assembleia Geral da ONU.

O presidente associou soberania à proteção das riquezas minerais, ao controle das fronteiras e à liberdade dos brasileiros para escolher seus governantes.

O petista também reagiu à pressão internacional sobre a segurança pública. Disse que o governo está preparado para enfrentar organizações criminosas e defendeu cooperação para cortar o fluxo de armas e dinheiro. Ao mesmo tempo, rejeitou a ideia de entregar a outros países a responsabilidade de proteger o território nacional.

A fala de Lula na ONU reuniu soberania, eleições e combate ao crime organizado. Antes da viagem, Lula já havia defendido a soberania brasileira e afirmado que o país exige respeito. O presidente afirmou ter apresentado aos Estados Unidos uma proposta de ação conjunta contra as facções, mas cobrou respeito às decisões brasileiras.

RECADO ELEITORAL

O discurso avançou para assuntos que atingem diretamente o bolso das famílias. Lula acusou as empresas de apostas de transformar o vício em lucro e afirmou que a expansão das bets está endividando e destruindo lares. Também garantiu que o Brasil não cederá a multinacionais interessadas em controlar ou privatizar o Pix.

Além disso, o presidente levou a disputa eleitoral à ONU. Disse que os brasileiros escolherão entre democracia e negacionismo em 4 de outubro e acusou adversários, sem citar nomes, de se aproximarem de interesses estrangeiros contrários ao país.

CENÁRIO GLOBAL

Lula criticou a perda de força da ONU, cobrou reforma das instituições multilaterais e voltou a classificar como genocídio a ofensiva israelense em Gaza. Também defendeu que minerais críticos e terras raras sejam explorados em benefício da população brasileira, com contrapartidas para setores estratégicos.

Mais sobre eleições-2026