Câmara de Caçapava investiga prefeito Yan Lopes

Câmara de Caçapava investiga prefeito Yan Lopes
Vereadores vão apurar uso de recursos do Fundo Municipal de Transporte e Trânsito no subsídio das passagens de ônibus; prefeito nega irregularidade.

A Câmara Municipal de Caçapava abriu uma Comissão Processante para investigar o prefeito Yan Lopes (Podemos) por possíveis irregularidades no uso de recursos do Fundo Municipal de Transporte e Trânsito. A denúncia foi aceita por unanimidade pelos dez vereadores que participaram da sessão de terça-feira (11).

Um dos principais pontos da representação é a utilização de mais de R$ 2 milhões do fundo para subsidiar o transporte coletivo.

A abertura da comissão não afasta Yan Lopes do cargo nem significa que o prefeito será cassado. O procedimento inicia uma investigação político-administrativa na Câmara, com direito à defesa, produção de provas e análise dos fatos antes de qualquer decisão sobre o mandato.

Denúncia questiona destino do dinheiro

Os autores questionam se recursos do Fundo Municipal de Transporte e Trânsito poderiam ter sido usados para ajudar a pagar o subsídio do sistema municipal de ônibus.

A denúncia cita o artigo 320 do Código de Trânsito Brasileiro, que determina as finalidades para aplicação da receita obtida com multas de trânsito.

Também menciona a Resolução 875/2021 do Conselho Nacional de Trânsito. Na interpretação apresentada pelos denunciantes, a norma permitiria o emprego desses recursos em ações como infraestrutura viária e faixas exclusivas para ônibus, mas não no pagamento de subsídio tarifário às empresas de transporte.

A representação menciona ainda suposto uso de dinheiro do fundo para pagamento de contas de energia elétrica e questiona o fornecimento de documentos e informações solicitados pela Câmara.

Prefeitura diz que dinheiro ajudou a manter passagem em R$ 4,20

A Prefeitura de Caçapava nega irregularidade.

Em nota divulgada após a votação, a administração afirmou que os recursos foram utilizados para garantir a continuidade do transporte coletivo e evitar que um aumento dos custos fosse repassado aos passageiros.

Segundo a Prefeitura, a medida ajudou a manter a tarifa de ônibus em R$ 4,20.

A administração sustenta ainda que a decisão teve respaldo de parecer da Procuradoria-Geral do Município e foi tomada com base no interesse público.

Yan Lopes informou que apresentará à comissão documentos, informações e argumentos técnicos e jurídicos para defender a regularidade dos atos.

Quem vai investigar Yan Lopes

Depois que os vereadores aceitaram a denúncia, foram sorteados os três integrantes da Comissão Processante:

  • Dani Galdino (Republicanos);
  • Fran Miranda (PL);
  • Pablo Fernandes (DC).

O grupo deverá analisar a denúncia, receber a defesa do prefeito, examinar documentos e, caso considere necessário, ouvir testemunhas e realizar outras diligências.

A próxima etapa inclui a instalação dos trabalhos e a notificação formal de Yan Lopes.

Comissão pode terminar em cassação

A Comissão Processante pode, ao final da investigação, recomendar o arquivamento do caso ou levar o processo para julgamento do plenário.

Uma eventual cassação não acontece automaticamente com a abertura da investigação.

Yan Lopes permanece no cargo durante a tramitação e terá direito ao contraditório e à ampla defesa. Caso o processo avance até uma votação sobre perda do mandato, será necessária nova deliberação dos vereadores, respeitando o quórum previsto pela legislação.

A Prefeitura afirma confiar que a apuração confirmará a regularidade das decisões tomadas pela administração municipal.

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