O Tribunal Superior Eleitoral deu dez dias para Meta e WhatsApp explicarem como anúncios políticos com informações falsas passaram pelos sistemas de aprovação das plataformas. A ordem foi assinada pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e aumenta a pressão sobre as empresas no início da fase mais intensa da campanha de 2026.
Um teste submeteu 15 peças que violavam as regras eleitorais brasileiras e 13 foram aprovadas pelos mecanismos automáticos da Meta. O índice de liberação chegou a 87%, mesmo com mensagens produzidas por inteligência artificial e sem a identificação exigida para esse tipo de conteúdo.
TESTE DA MODERAÇÃO
A decisão cobra explicações sobre anúncios falsos aprovados para atingir eleitores brasileiros. O estudo foi produzido pela organização britânica Eko e usou uma conta de publicidade aberta nos Estados Unidos.
Entre as peças submetidas havia um vídeo criado por IA no qual Kassio aparecia anunciando uma data falsa para a eleição, uma montagem de Donald Trump ao lado de Flávio Bolsonaro com pedido de voto e uma convocação relacionada aos atos de 8 de janeiro.
As regras do TSE proíbem publicidade política contratada no exterior e impedem que terceiros paguem anúncios em nome de candidatos. Somente partidos, federações, coligações e campanhas podem impulsionar propaganda eleitoral. O teste mostrou que a barreira automática falhou antes mesmo de as peças alcançarem o público.
RISCO ELEITORAL
A combinação de IA generativa, segmentação de público e compra de anúncios permite produzir mensagens falsas em grande escala e direcioná-las a grupos específicos. Quando a identificação não aparece, o eleitor pode receber uma fala fabricada com aparência de declaração real.
O TSE analisa os planos apresentados pelas plataformas para conter desinformação, montagens e uso irregular de inteligência artificial. A resposta de Meta e WhatsApp deverá detalhar os filtros empregados, a participação de revisores humanos e as medidas adotadas para impedir novas aprovações.
META RESPONDE
A Meta afirma que as peças do teste não chegaram a ser exibidas aos usuários. A empresa também sustenta que uma amostra de 15 anúncios não representa a escala de seu trabalho e diz usar diferentes camadas de revisão, além de protocolos específicos para o período eleitoral.
A explicação, porém, precisará convencer a Justiça Eleitoral de que as ferramentas conseguem barrar conteúdo falso antes da circulação. Com a campanha nas ruas e nas telas, o debate deixa de ser apenas tecnológico: trata da capacidade de proteger o voto contra mensagens fabricadas e distribuídas por sistemas automáticos.




