TCE julga irregular contrato de Saud no Pronto Socorro de Taubaté

TCE julga irregular contrato de Saud no Pronto Socorro de Taubaté
José Saud afirmou que irá recorrer da decisão do TCE sobre o contrato de gestão do Pronto Socorro Municipal — 📸 Internet/Divulgação
Conselheiro apontou falta de detalhamento de custos e critérios subjetivos que teriam alterado a vencedora da seleção.

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) julgou irregular o contrato firmado entre a Prefeitura de Taubaté e o Iesp (Instituto de Excelência em Saúde Pública) para administrar o Pronto Socorro Municipal (PSM).

A Segunda Câmara do tribunal julgou o caso em 1º de setembro, mas a decisão foi publicada nesta semana. O contrato foi assinado em abril de 2022 e, após quatro prorrogações, custa atualmente R$ 49,7 milhões por ano. Cabe recurso.

O relator do processo, conselheiro Renato Martins Costa, apontou duas falhas consideradas mais graves no chamamento público. Uma delas envolve a falta de detalhamento dos custos. A outra trata dos critérios usados para pontuar as propostas técnicas.

Segundo a decisão, um dos problemas na avaliação das propostas alterou a vencedora do chamamento público que definiu a gestão do Pronto Socorro.

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FALTA DE DETALHAMENTO

O primeiro problema apontado pelo relator foi a ausência de uma demonstração detalhada dos custos envolvidos na execução do contrato.

Segundo a decisão, essa omissão dificultou verificar se o plano de custeio apresentado pela organização social era compatível com os valores praticados no mercado.

Para o conselheiro, a falha comprometeu aspectos como economicidade, transparência e legalidade do processo.

RESULTADO FOI ALTERADO

O segundo ponto envolve os critérios utilizados para avaliar as propostas técnicas. O TCE entendeu que houve critérios subjetivos de pontuação.

De acordo com a decisão, a Prefeitura utilizou exigências que não estavam previstas no edital para descontar pontos da AFNE (Associação Filantrópica Nova Esperança).

A entidade havia apresentado a melhor proposta financeira. No entanto, após perder pontos na avaliação do plano de trabalho, terminou em terceiro lugar.

Na avaliação do TCE, portanto, a falha na pontuação interferiu diretamente no resultado do chamamento público.

CONTRATO SEGUE ATÉ 2027

O processo de seleção começou no fim de 2021. Em abril de 2022, a Prefeitura assinou o contrato por R$ 44,8 milhões anuais.

Desde então, houve quatro prorrogações. O custo atual chegou a R$ 49,7 milhões por ano, e a vigência vai até abril de 2027.

O TCE também determinou o envio do processo ao Ministério Público e à Câmara de Taubaté para adoção das medidas que entenderem cabíveis.

PREFEITURA VAI RECORRER

A Prefeitura de Taubaté informou que adotará medidas legais para recorrer da decisão. Desde janeiro de 2025, o município é administrado pelo prefeito Sérgio Victor (Novo).

Segundo a administração, a Procuradoria-Geral do Município e a Secretaria de Saúde analisam a decisão, principalmente os possíveis efeitos sobre o contrato em vigor.

A Prefeitura afirmou ainda que as providências terão como prioridades a segurança jurídica e a continuidade do atendimento no Pronto Socorro. Um eventual novo chamamento dependerá dessa análise técnica e jurídica.

SAUD TAMBÉM CONTESTA

O ex-prefeito José Saud (PP), que comandava Taubaté quando o contrato foi assinado, também anunciou que irá recorrer.

Saud afirmou acreditar que a decisão será modificada. Segundo o ex-prefeito, a licitação respeitou o princípio da economicidade e foi conduzida por servidores de carreira dentro da legalidade, lisura e transparência.

O ex-prefeito também destacou que o edital foi aberto em outubro de 2021, durante a pandemia, e afirmou que perto de 30 organizações sociais participaram da seleção.

O QUE DIZ O IESP

Procurado pela OVale, o Iesp não quis se manifestar sobre a decisão. Durante o processo no TCE, porém, a entidade sustentou que não houve irregularidade no chamamento público nem prejuízo aos cofres públicos.

AÇÕES DO MP

O contrato também aparece em uma discussão judicial iniciada em 2022. Naquele ano, o Ministério Público ajuizou duas ações de improbidade administrativa relacionadas a contratos firmados pela Prefeitura com o Iesp e o INCS (Instituto Nacional de Ciências da Saúde).

Entre os réus estão José Saud, ex-integrantes da Secretaria de Saúde e as entidades envolvidas. Todos negam irregularidades.

Segundo a reportagem de origem, o MP apresentou uma série de alegações nas ações, entre elas problemas na terceirização dos serviços, ausência de estudos e de aval do Conselho Municipal de Saúde, além de supostos prejuízos financeiros e falhas no controle da frequência de profissionais.